Muito tempo que eu não venho escrever nada do tipo, mas...
Precisava conversar com alguém e, como eu voltei a me fechar pro mundo, vou retornar aos meus hábitos de desabafar comigo mesma.
Ontem foi um dia desesperador pra mim. De verdade.
Sabe quando você vai do nada ao tudo, e depois volta do tudo pro nada, de uma forma brusca e repentina?
Foi um ápice de um momento maravilhoso seguido por um momento... desolador.
Eu não soube lidar com isso.
Eu ainda não tenho certeza se estou lidando ou simplesmente ignorando meus pensamentos, fazendo coisas banais como arrumar meu guarda roupas.
Minha vontade é de dar todas as minhas coisas, mas o que tá ocupando minha mente (parcialmente, ao menos) é justamente o fato de ter que escolher o que eu quero ou não.
Decisões nunca foram o meu forte...
Ao menos sobre as malditas roupas talvez eu consiga, né?
Ainda não me recuperei do choque de ontem. Eu achava estar bem, achava que isso nunca mais aconteceria.
Quando percebi que eu estava tendo uma crise fiquei desesperada.
Não conseguia respirar, não conseguia engolir, não conseguia me mexer. Ficou tão frio e desconfortável que eu me tremia da cabeça aos pés, desesperada por me sentir bem de novo.
Coisas estranhas aconteceram. O tipo de coisas estranhas com as quais eu convivo a vida inteira e que nem por isso deixam de me darem medo.
Queria apagar. Me entupir de remédios e mergulhar no vazio que eles me proporcionam.
Assim eu me sentiria melhor, momentaneamente.
Não conseguia levantar, nem me esticar pra puxar a caixa até mim. Estava chorando tanto que eu comecei a me afogar em minhas lágrimas, porque elas não tinham pra onde ir comigo deitada.
No fim percebi que até meu pescoço estava molhado.
Eram salgadas.
Pensei em me mutilar pra me acalmar, porque meu nível de descontrole era tão absurdo que eu estava literalmente escorregando pro fundo do abismo em que eu costumava viver. E essa porcaria de abismo não tem arbustos ao redor pra eu me agarrar e me impedir de cair nele.
Não tinha ninguém ao redor pra me dar um tapa forte e dizer "se acalma, porra! volta pro mundo!".
É o que as agulhas fazem. Me trazem pro mundo.
A dor faz as pessoas voltarem a si em momentos de intenso desespero. As pessoas encaram como uma loucura, como um prévio e parcelado suicídio, mas eu encaro como uma lanterna na escuridão.
Talvez dos males seja o menor.
Talvez seja a injeção de adrenalina dos moribundos.
Sei que só quem passa por isso consegue entender isso. Esse botão de emergência que a gente cria pra apertar quando a situação não vai nada bem.
Consegui passar por isso. Sem tomar remédios. Sem me machucar.
Não por mim. Eu sei que se eu fizesse isso eu... machucaria outra pessoa.
Mais do que me senti machucando ontem. Não suportaria. Não suporto a ideia.
Não sei quando dormi, mas acordei com mil lenços de papel ao meu redor.
Felizmente minha mãe foi trabalhar, porque eu realmente quero ficar sozinha hoje.
Eu preciso de um tempo do mundo. Preciso me acalmar, respirar, reforçar a cola dos meus caquinhos pra eles continuarem colados e eu não virar uma bagunça de novo.
Não sei como vou conseguir fazer isso. Às vezes eu me digo que não tem solução pro que está acontecendo. Me digo que as coisas precisam continuar como estão e, em algum momento, tudo vai voltar pro curso correto.
Em outras eu vejo com tanta clareza e acho a solução tão óbvia. É só eu esticar a mão e...
Mas não é assim que funciona no mundo real. É?
As coisas poderiam ser mais fáceis e simples UMA vez na vida. Só dessa vez.
"Got no reason
Got no shame
Got no family
I can blame
Just don't let me disappear
I'mma tell you everything"


0 comentários:
Postar um comentário