sábado, 17 de maio de 2014

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É impressionante como nossos pais conseguem ser hipócritas.
Perdi as contas de quanto tempo eu vivi cercada de regras que não faziam o menor sentido, pra depois de anos, quando eu aprendi a segui-las, ver tudo sendo repetido incansavelmente como se fosse perfeitamente normal.
Então as coisas só são erradas quando sou eu quem as faz?

Não preciso dizer o quanto eu odeio meus pais, atualmente.
Na verdade eu odeio quase todo mundo, como vocês sabem, mas a questão é que meus instintos assassinos agora se estendem a eles.
Será que um dia eu serei uma dessas pobres garotas que aparecem na televisão?
Hoho... Mas ninguém nunca se pergunta o que as levou a fazer o que fizeram, né?
Vamos simplesmente julgar as pobres coitadas, porque os pais são sagrados.
Pro inferno com isso.

Tá, eu sei que eu não sou normal. Estou bem longe da ideia convencional de normalidade.
Mas ao menos eu admito que não sou normal, o que a maioria das pessoas anormais não fazem.
É muito cansativa essa coisa de ter que fazer sempre o que as pessoas acham que deve ser feito, senão você simplesmente está fora do que é normal e você se torna um pária social.
Quem se importa com isso? Hoje em dia a maioria das pessoas são completamente idiotas.
Ser diferente é o que torna cada pessoa melhor do que a maioria.
O comum não atrai.

Talvez eu só esteja com muita raiva, mas eu sempre estive com muita raiva.
De toda a merda que eu tive que aguentar na vida, em muitos aspectos, inclusive em casa.
Tive que viver sendo a filhinha perfeita que eu nunca fui, fazer uma faculdade que eu odeio totalmente e sorrir quando eu tinha vontade de mandar todo mundo ir pra puta que pariu!

Agora a menininha perfeita cansou de fingir ser perfeita e ninguém sabe lidar com isso.
Agora eu sou a garotinha revoltada, maluca, antisocial, com "problemas que precisam ser resolvidos rápidos, porque isso não é normal! Não é natural não gostar de pessoas e viver parecendo infeliz."
Parecendo infeliz?
Eu SOU infeliz. E muita parte disso é culpa dela, que nunca prestou atenção em mim.

Que tipo de mãe não nota que a filha tem depressão, porra?!
Adivinhem: a minha. ;D

sábado, 3 de maio de 2014

Keep holding on.




Mais um pico emocional.

É impressionante como algumas lembranças vêm a tona em momentos totalmente inapropriados e me tiram dos eixos.
Sempre que tenho crises e estou sozinha me desespero, porque a impressão que eu tenho é que a cada uma eu me importo menos. 
Comigo, com as pessoas.

É quase como se meus vínculos estivessem arrebentando, pouco a pouco, e quando não restar nenhum eu não terei mais motivos pra controlar meus ímpetos.
Estou sempre sozinha, o que facilita pra mim.
É muito difícil fingir calma e tranquilidade quando se está desmoronando. Ao menos eu extravasar minha dor.

Comprei uma agulha nova.
Dói, mas não o bastante pra me manter muito tempo no controle. 
Na última vez eu contei 67 furos.
Nunca tinha parado pra pensar, mas a quantidade necessária está aumentando com o passar do tempo.

Queria ligar pra ele e pedir pra ele vir aqui, mas não quero que ele me veja assim.
Estou desequilibrada e não consigo conter o choro.
Tudo o que eu queria era deitar em seu peito e sentir seus braços envolvendo minha cintura, em um abraço bem apertado.
Ficar ali, chorando, em silêncio, porque eu sei que ele não me faria perguntas. 
Mas não posso fazer isso...

Ainda que ele saiba sobre tudo, ele ainda não viu o quão a situação pode ser desoladora.
Não quero ser essa pessoa. 
Sinto que se eu permitir que ele me veja assim, não vou conseguir separá-la do restante de mim. 
Seremos uma só...

Será meu fim.


♫ Noel Gallagher - Sad Song

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