quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A verdade.


Esse título é meio irônico, porque ultimamente eu não sei mais o que é verdade ou não é.
Sabe quando você começa a contestar tudo o que tem acontecido nos últimos tempos?

Tudo começou com uma crença boba de que eu havia encontrado minha alma gêmea.
Eu disse que haveriam muitos posts sobre isso, mas me enganei. Esse é o último.
Esse post é pra ele.

Sabe quando você cria uma ideia sobre alguém e depois percebe que talvez você esteja errada?
Eu confiei plenamente em uma pessoa que eu mal conhecia. Abri minha vida e meus sentimentos; quebrei a cara.

Eu fiz muitas coisas por ele. Abri mão de tudo sem pensar nas consequências.
Toda a minha vida milimetricamente planejada, por pelo menos uns 5 ou 10 anos.
Eu não me arrependo disso. Jamais me arrependeria. 

Tive os 50 dias mais intensos da minha vida. Talvez mais, não estou com vontade de contar agora. 
Fiz coisas legais. Saí sem rumo. Fui irresponsável (em muitos aspectos). Me diverti. Me apaixonei intensamente, todos os dias.
Posso dizer que eu precisava viver algo assim, ao menos uma vez na vida. 

Eu sempre fui uma pessoa muito desconfiada, muito observadora e com uma memória excelente.
Essa combinação nunca foi boa, porque eu junto peças de um quebra cabeças na minha mente sobre tudo o que me dizem.
Às vezes essas peças se encaixam, outras não.
Muitas peças não se encaixavam, mas quem liga?

Ontem eu liguei.
Ontem eu fiz uma coisa que eu sempre detestei fazer: olhar Facebook de ex.
E boom! Explosão. Pequenos destroços pra todos os lados.
Eu desnorteada sem saber o que pensar.

Primeiro me senti errada por ter olhado.
Depois me senti culpada por ter ficado com ele. Não importava mais o que eu sentia, o que ele havia dito, nada. Eu só conseguia pensar que eu ajudei a destruir os planos de alguém e que eu tinha uma parcela de culpa em um coração partido. 
Por fim, me veio o reconhecimento naquelas palavras. Se não fossem os erros de Português, poderia ter sido escrito por mim.
Os mesmos fatos, os mesmos motivos pra ter se apaixonado. Poderia ser algo que eu escreveria no futuro, em uma data especial. 
Eram os mesmos sentimentos. Tudo igual.
O que eu fiz? 

Não chorei. Nisso surpreendi a mim mesma.
Fui pro meu cantinho, peguei o quebra cabeças e comecei a montar. 
Fui empilhando as peças que não encaixavam... e a pilha foi ficando grande. 
Grande o bastante pra eu perceber que eu fui uma boba que acreditou numa coisa que simplesmente não existiu.

Quando eu digo que não existiu, não quis dizer que ele não se apaixonou por mim.
Eu acho que se apaixonou.
Mas todo o restante... Tudo o que eu achava ser especial e único, não foi.
Foi simplesmente mais um capítulo em um livro que já havia sido escrito. 
Uma história que estava no meio de tantas outras, de forma tão habitual.

Um novo amor. Uma nova conquista.
Novos planos. Novos sorrisos.
Novas músicas. 

Pude me reconhecer nela, apaixonada e encantada pelas mesmas coisas. 
Pude visualizar o primeiro encontro, o primeiro beijo, a primeira vez.
Tudo mágico e especial. 
O jeito de olhar. A forma de tocar e olhar nos olhos, de uma forma tão intensa e quase constrangedora. 
O sorriso perfeito. 
O cavalheirismo. A doçura. A forma singela de fazer alguém se sentir única e começar a querer aquilo pra sempre.
A coleção de pequenas coisas que supostamente nunca existiriam com outra pessoa.

Aí eu desisti do quebra cabeças e comecei a catar meus pedaços, que já estavam tão espalhados e diminutos que estavam literalmente se perdendo pelo chão.
Continuei sem chorar, afinal eu prometi que não choraria, mas fui ficando com um bolo na garganta do tamanho do mundo.

O pior de tudo foram as datas. Tão próximas. 
Como em uma semana alguém ama e diz que quer passar o resto da vida com a pessoa, e na outra simplesmente vai embora?
Como alguém tem tantos sonhos, planos, expectativas... em um relacionamento que não funcionava há séculos?

Aí você volta pro quebra cabeças e vê que poucas peças poderiam servir e que seria melhor jogá-lo fora e comprar um novo.

Você percebe que tudo isso já aconteceu, já foi dito, já foi sentido e já foi vivido.
Você  percebe que o vínculo forte que você achava ser único, por acreditar que esse tipo de coisa não costuma acontecer na vida, já aconteceu uns anos atrás.
Simplesmente parou de funcionar. Como aconteceria com o de vocês, eventualmente.

E você se pega lembrando de cada palavra dita e percebe que nem todas foram reais. 
Algumas com certeza, outras com especulação.

Isso machuca, especialmente pela forma que você se abriu e se entregou ao que estava sentindo, baseada numa ideia equivocada de ter encontrado algo praticamente impossível.

Você ouve a voz da pessoa em sua cabeça dizendo que nunca foi assim com ninguém, que nunca sentiu isso por ninguém, que nunca viveu isso com ninguém e tantas outras coisas e se pega sorrindo, realmente acreditando nisso, pra em 5 minutos você ver que não foi bem assim.

Você procura encontrar algum traço do que você acreditava, alguma semelhança com o que a pessoa dizia, e não encontra. 
Você só vê o que você sempre viu, mas com outro alguém.

E boom de novo!

Um turbilhão de emoções, palavras, flashes vão passando na sua mente.
O que é real? O que não é?
Você não sabe distinguir, porque se algo não se encaixa alguma parte disso tudo está errada.

Moral de história: não existem almas gêmeas. O ser humano não faz a menor ideia do que o amor realmente é. 
Ninguém é realmente único e nenhum ato é exclusivo seu, a não ser que você conheça alguém com 12 anos e passe o resto da vida com essa pessoa. 
As pessoas mentem, por motivos que muitas vezes não entendemos. 

Agora feche esse livro de contos de fadas e volte pro mundo real, onde existem pessoas imperfeitas que vão demorar 2 anos pra desenvolver algum sentimento real por você. 
Provavelmente alguém que não tem nada a ver com você e por quem você vai ter que lutar todos os dias pra se manter perto, porque não tem quase nada em comum.

O restante são amores utópicos que você encontra nos livros de Shakespeare, suspira e fim.

" 'Cause I'm broken when I'm open
And I don't fell like I'm strong enough
 'Cause I'm broken when I'm lonesome
And I don't feel right when you go away"

Broken - Seether






quarta-feira, 21 de outubro de 2015

.

Estava me perguntando se a gente se cura da depressão. 
Às vezes me parece como um tumor enraizado que fica escondido, mas quando você percebe já tomou todo o seu corpo. 
Você pensa que melhorou e que está tudo bem, mas não está.

Fazia algum tempo que eu não tinha tantos altos e baixos. 
Uma pessoa normal tem problemas e fica triste. Chora, se isola, e aquilo passa.
Uma pessoa com depressão tem problemas e aquilo vai puxando ela de volta pro poço sem fundo que é a sua vida. 

Eu achei que eu estava bem, mas percebi que não. 
Eu não tenho impulsos suicidas, só não sinto a menor vontade de viver. 
Eu não gosto de estar aqui. Eu não me encaixo aqui.

Eu superestimei a capacidade de alguém me compreender, mas como sempre eu estava errada.
É difícil me entender. Eu sou difícil.

Deve ser horrível me amar.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Do avesso.


Eu achei que a minha fase de vir postar meus mimimis estava acabada, mas me enganei.

Ultimamente as coisas estão complicadas. Normalmente eu ligo o foda-se e faço o que bem entender, sem pensar nas consequências, mas eu tenho sido mais responsável.
Eu tenho me importado mais em não magoar ninguém, especialmente porque eu tenho sentido que meus atos podem magoar pessoas importantes pra mim.

Pode parecer sem sentido, mas tudo começou com uma ligação.
Uma ligação forte, intensa, que virou meu mundo do avesso.
Tudo o que eu achava que sabia estava errado. Eu percebi que, na realidade, eu nunca soube de nada.
Que tudo era mera especulação. Que há um mundo diferente e muito além do que eu imaginava. 

No começo eu não acreditei ser verdade. Eu tentei encontrar brechas pra explicar uma coisa que eu não conseguia, inventar teorias mirabolantes. Explicar o que não podia, literalmente, ser explicado.
Não consegui. Tive que me render à uma explicação ilógica e sem fundamentos: destino.

Sabe quando você olha alguém e tem um insight? O mundo pára. Os sons somem. Tudo congela. 
Você olha a pessoa e fica presa naquele olhar, de uma forma perturbadora. 
Nesse momento você esquece como falar, como se mover, como respirar. Você desaprende até mesmo seu nome.
O que te tira do transe é a falta de oxigênio, pois você começa a se dar conta que você realmente esqueceu de respirar. Aí você puxa o ar e se liberta do encanto, momentaneamente.

Você deve estar associando isso a um filme, pois acontece bastante. É quando toca uma música romântica e todo mundo fica suspirando e desejando sentir aquilo, pois deve ser mágico e único. 
E é. 
Eu nunca acreditei em amor à primeira vista, mas talvez (eu digo talvez porque eu tenho medo de afirmar que existe, exteriorizar a coisa e torná-la - ainda mais - real) exista. Talvez esse insight seja o click que precede um sentimento épico. 
Eu passei por algo assim. Não tinha música, o que seria foda pois eu sou totalmente musical, mas todo o resto estava lá. O olhar, a intensidade, aquele sentimento de familiaridade. 

Uma vez eu li que amar é sua alma se reconhecer em outra. Isso faz muito sentido agora. 
Tudo é varrido pra longe. O mundo inteiro pára e se torna desimportante, como se tudo não passasse de um mero cenário distante. 
O tempo nem de longe pára, pelo contrário. Ele voa. 
As horas viram segundos, os dias viram minutos, as semanas viram horas. É algo bem injusto, na verdade.

Fico me perguntando porque diabos isso não aconteceu alguns anos atrás. Eu passei tanto tempo sozinha e isolada na minha bolha. 
Talvez as coisas sejam como são. Talvez eu tenha que passar por isso, por algum propósito que eu não entendo. 

O que eu posso dizer no momento é que me sinto confusa. Eu ainda não sei se é pela situação em si, ou se por mim. Talvez os meus bloqueios me façam relutar em sair da minha zona de conforto, em ser inconsequente e arriscar.
Talvez no fundo eu ainda tenha medo de magoar. Ou magoar alguém. Isso certamente vai acontecer, levando em conta a situação em que fomos colocados.

Tudo o que eu sei no momento é que eu posso dizer, de verdade, que fui feliz. Ainda que brevemente. 
É uma sensação única. Eu me senti tão viva! Sabe quando tudo vale a pena e você encontra um sentido pra estar aqui? 
A vida deixa de ser um fardo e passa a ser um presente. E você quer cada segundo que possa ter, porque você ainda quer fazer tantas coisas. 

De qualquer forma, minha vida teve um bom propósito no fim das contas. Se tudo acabasse hoje, eu iria plenamente satisfeita.
Com saudades, mas satisfeita. 

Eu ainda vou falar muito sobre isso. Tenho tanta coisa pra dizer, mas preciso primeiro organizar meus pensamentos. 
Não estou conseguindo me expressar com clareza. Ainda estou me situando com meu novo e verdadeiro eu.

Fazem exatos 33 dias que minha perspectiva do mundo mudou.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pico emocional.


Muito tempo que eu não venho escrever nada do tipo, mas...
Precisava conversar com alguém e, como eu voltei a me fechar pro mundo, vou retornar aos meus hábitos de desabafar comigo mesma.

Ontem foi um dia desesperador pra mim. De verdade.
Sabe quando você vai do nada ao tudo, e depois volta do tudo pro nada, de uma forma brusca e repentina?
Foi um ápice de um momento maravilhoso seguido por um momento... desolador.
Eu não soube lidar com isso.

Eu ainda não tenho certeza se estou lidando ou simplesmente ignorando meus pensamentos, fazendo coisas banais como arrumar meu guarda roupas.
Minha vontade é de dar todas as minhas coisas, mas o que tá ocupando minha mente (parcialmente, ao menos) é justamente o fato de ter que escolher o que eu quero ou não.
Decisões nunca foram o meu forte...
Ao menos sobre as malditas roupas talvez eu consiga, né?

Ainda não me recuperei do choque de ontem. Eu achava estar bem, achava que isso nunca mais aconteceria.
Quando percebi que eu estava tendo uma crise fiquei desesperada.
Não conseguia respirar, não conseguia engolir, não conseguia me mexer. Ficou tão frio e desconfortável que eu me tremia da cabeça aos pés, desesperada por me sentir bem de novo.

Coisas estranhas aconteceram. O tipo de coisas estranhas com as quais eu convivo a vida inteira e que nem por isso deixam de me darem medo.
Queria apagar. Me entupir de remédios e mergulhar no vazio que eles me proporcionam.
Assim eu me sentiria melhor, momentaneamente.

Não conseguia levantar, nem me esticar pra puxar a caixa até mim. Estava chorando tanto que eu comecei a me afogar em minhas lágrimas, porque elas não tinham pra onde ir comigo deitada.
No fim percebi que até meu pescoço estava molhado.
Eram salgadas.

Pensei em me mutilar pra me acalmar, porque meu nível de descontrole era tão absurdo que eu estava literalmente escorregando pro fundo do abismo em que eu costumava viver. E essa porcaria de abismo não tem arbustos ao redor pra eu me agarrar e me impedir de cair nele.
Não tinha ninguém ao redor pra me dar um tapa forte e dizer "se acalma, porra! volta pro mundo!".
É o que as agulhas fazem. Me trazem pro mundo.

A dor faz as pessoas voltarem a si em momentos de intenso desespero. As pessoas encaram como uma loucura, como um prévio e parcelado suicídio, mas eu encaro como uma lanterna na escuridão.
Talvez dos males seja o menor.
Talvez seja a injeção de adrenalina dos moribundos.
Sei que só quem passa por isso consegue entender isso. Esse botão de emergência que a gente cria pra apertar quando a situação não vai nada bem.

Consegui passar por isso. Sem tomar remédios. Sem me machucar.
Não por mim. Eu sei que se eu fizesse isso eu... machucaria outra pessoa.
Mais do que me senti machucando ontem. Não suportaria. Não suporto a ideia.

Não sei quando dormi, mas acordei com mil lenços de papel ao meu redor.
Felizmente minha mãe foi trabalhar, porque eu realmente quero ficar sozinha hoje.
Eu preciso de um tempo do mundo. Preciso me acalmar, respirar, reforçar a cola dos meus caquinhos pra eles continuarem colados e eu não virar uma bagunça de novo.

Não sei como vou conseguir fazer isso. Às vezes eu me digo que não tem solução pro que está acontecendo. Me digo que as coisas precisam continuar como estão e, em algum momento, tudo vai voltar pro curso correto.
Em outras eu vejo com tanta clareza e acho a solução tão óbvia. É só eu esticar a mão e...
Mas não é assim que funciona no mundo real. É?

As coisas poderiam ser mais fáceis e simples UMA vez na vida. Só dessa vez.

"Got no reason 
Got no shame 
Got no family I can blame 
Just don't let me disappear 
I'mma tell you everything"