Sabe quando você começa a contestar tudo o que tem acontecido nos últimos tempos?
Tudo começou com uma crença boba de que eu havia encontrado minha alma gêmea.
Eu disse que haveriam muitos posts sobre isso, mas me enganei. Esse é o último.
Esse post é pra ele.
Sabe quando você cria uma ideia sobre alguém e depois percebe que talvez você esteja errada?
Eu confiei plenamente em uma pessoa que eu mal conhecia. Abri minha vida e meus sentimentos; quebrei a cara.
Eu fiz muitas coisas por ele. Abri mão de tudo sem pensar nas consequências.
Toda a minha vida milimetricamente planejada, por pelo menos uns 5 ou 10 anos.
Eu não me arrependo disso. Jamais me arrependeria.
Tive os 50 dias mais intensos da minha vida. Talvez mais, não estou com vontade de contar agora.
Fiz coisas legais. Saí sem rumo. Fui irresponsável (em muitos aspectos). Me diverti. Me apaixonei intensamente, todos os dias.
Posso dizer que eu precisava viver algo assim, ao menos uma vez na vida.
Eu sempre fui uma pessoa muito desconfiada, muito observadora e com uma memória excelente.
Essa combinação nunca foi boa, porque eu junto peças de um quebra cabeças na minha mente sobre tudo o que me dizem.
Às vezes essas peças se encaixam, outras não.
Muitas peças não se encaixavam, mas quem liga?
Ontem eu liguei.
Ontem eu fiz uma coisa que eu sempre detestei fazer: olhar Facebook de ex.
E boom! Explosão. Pequenos destroços pra todos os lados.
Eu desnorteada sem saber o que pensar.
Primeiro me senti errada por ter olhado.
Depois me senti culpada por ter ficado com ele. Não importava mais o que eu sentia, o que ele havia dito, nada. Eu só conseguia pensar que eu ajudei a destruir os planos de alguém e que eu tinha uma parcela de culpa em um coração partido.
Por fim, me veio o reconhecimento naquelas palavras. Se não fossem os erros de Português, poderia ter sido escrito por mim.
Os mesmos fatos, os mesmos motivos pra ter se apaixonado. Poderia ser algo que eu escreveria no futuro, em uma data especial.
Eram os mesmos sentimentos. Tudo igual.
O que eu fiz?
Não chorei. Nisso surpreendi a mim mesma.
Fui pro meu cantinho, peguei o quebra cabeças e comecei a montar.
Fui empilhando as peças que não encaixavam... e a pilha foi ficando grande.
Grande o bastante pra eu perceber que eu fui uma boba que acreditou numa coisa que simplesmente não existiu.
Quando eu digo que não existiu, não quis dizer que ele não se apaixonou por mim.
Eu acho que se apaixonou.
Mas todo o restante... Tudo o que eu achava ser especial e único, não foi.
Foi simplesmente mais um capítulo em um livro que já havia sido escrito.
Uma história que estava no meio de tantas outras, de forma tão habitual.
Um novo amor. Uma nova conquista.
Novos planos. Novos sorrisos.
Novas músicas.
Pude me reconhecer nela, apaixonada e encantada pelas mesmas coisas.
Pude visualizar o primeiro encontro, o primeiro beijo, a primeira vez.
Tudo mágico e especial.
O jeito de olhar. A forma de tocar e olhar nos olhos, de uma forma tão intensa e quase constrangedora.
O sorriso perfeito.
O cavalheirismo. A doçura. A forma singela de fazer alguém se sentir única e começar a querer aquilo pra sempre.
A coleção de pequenas coisas que supostamente nunca existiriam com outra pessoa.
Aí eu desisti do quebra cabeças e comecei a catar meus pedaços, que já estavam tão espalhados e diminutos que estavam literalmente se perdendo pelo chão.
Continuei sem chorar, afinal eu prometi que não choraria, mas fui ficando com um bolo na garganta do tamanho do mundo.
O pior de tudo foram as datas. Tão próximas.
Como em uma semana alguém ama e diz que quer passar o resto da vida com a pessoa, e na outra simplesmente vai embora?
Como alguém tem tantos sonhos, planos, expectativas... em um relacionamento que não funcionava há séculos?
Aí você volta pro quebra cabeças e vê que poucas peças poderiam servir e que seria melhor jogá-lo fora e comprar um novo.
Você percebe que tudo isso já aconteceu, já foi dito, já foi sentido e já foi vivido.
Você percebe que o vínculo forte que você achava ser único, por acreditar que esse tipo de coisa não costuma acontecer na vida, já aconteceu uns anos atrás.
Simplesmente parou de funcionar. Como aconteceria com o de vocês, eventualmente.
E você se pega lembrando de cada palavra dita e percebe que nem todas foram reais.
Algumas com certeza, outras com especulação.
Isso machuca, especialmente pela forma que você se abriu e se entregou ao que estava sentindo, baseada numa ideia equivocada de ter encontrado algo praticamente impossível.
Você ouve a voz da pessoa em sua cabeça dizendo que nunca foi assim com ninguém, que nunca sentiu isso por ninguém, que nunca viveu isso com ninguém e tantas outras coisas e se pega sorrindo, realmente acreditando nisso, pra em 5 minutos você ver que não foi bem assim.
Você procura encontrar algum traço do que você acreditava, alguma semelhança com o que a pessoa dizia, e não encontra.
Você só vê o que você sempre viu, mas com outro alguém.
E boom de novo!
Um turbilhão de emoções, palavras, flashes vão passando na sua mente.
O que é real? O que não é?
Você não sabe distinguir, porque se algo não se encaixa alguma parte disso tudo está errada.
Moral de história: não existem almas gêmeas. O ser humano não faz a menor ideia do que o amor realmente é.
Ninguém é realmente único e nenhum ato é exclusivo seu, a não ser que você conheça alguém com 12 anos e passe o resto da vida com essa pessoa.
As pessoas mentem, por motivos que muitas vezes não entendemos.
Agora feche esse livro de contos de fadas e volte pro mundo real, onde existem pessoas imperfeitas que vão demorar 2 anos pra desenvolver algum sentimento real por você.
Provavelmente alguém que não tem nada a ver com você e por quem você vai ter que lutar todos os dias pra se manter perto, porque não tem quase nada em comum.
O restante são amores utópicos que você encontra nos livros de Shakespeare, suspira e fim.
" 'Cause I'm broken when I'm open
And I don't fell like I'm strong enough
'Cause I'm broken when I'm lonesome
And I don't feel right when you go away"
Broken - Seether


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