sábado, 13 de agosto de 2016

Metade.

Não consigo expressar bem o tamanho da minha decepção, então tá na hora de escrever sobre isso.

Há 11 meses atrás eu conheci alguém. Alguém extremamente parecido comigo, que tinha quase os mesmos gostos e uma personalidade tão semelhante que me espantava.

Iniciamos um relacionamento de amizade. Era tudo perfeito: ele me entendia melhor do que ninguém, me levava pra fazer coisas que eu nunca tinha feito e se preocupava em ser presente e em agradar. Resultado: me apaixonei.

Pensei ter encontrado o amor da minha vida, porque tudo era perfeito. Os diálogos, o companheirismo, nossa vida como casal. E a química, nossa! Parecia que cada pedacinho do meu corpo pertencia a ele. Eu ficava extremamente irracional com o simples toque de sua mão em meu braço.

O que parecia um conto de fadas foi deixando de ser, com o tempo. Eu planejava uma vida com ele, planejava muitas coisas. Pensava em casar, talvez ter filhos, criar um mundo nosso.

Nossos atritos começaram, porque tínhamos gostos diferentes. Comecei a me sentir negligenciada e invalidada. Comecei a sentir que eu não era algo tão importante na vida dele. E isso foi me deixando triste, muito triste.

Quantas vezes eu chorei escondida e relevei determinadas coisas, porque o que eu sentia por ele significava muito. Logo eu, que costumava ser tão intolerante, que costumava dar um fim em relacionamentos por bem menos.

Eu, a menina ferida e traumatizada, forte por fora mas quebrada por dentro, que não sabe se irá conseguir ser normal novamente nessa vida. A menina que evita relacionamentos porque tem medo de sofrer novamente, como aconteceu tantas vezes, e já não consegue mais se recuperar com facilidade.

As pessoas não entendem as coisas pelas quais eu passei. As pessoas não entendem o quanto eu sou frágil e o quanto eu sofri com relacionamentos abusivos, com violência, com mau caratismo, com algo pior e traumático pelo qual algumas mulheres infelizmente passam e não se recuperam. Nunca.

Eu não sou uma mulher normal, nem nunca serei. Hoje ou daqui há 10 anos, porque tem marcas profundas em mim que nada vai apagar. Porque mesmo quando estou feliz, ainda lembro que alguém violou a minha alma.

Pequenas coisas, pequenas contradições, pequenas desconfianças, me afetam de forma que não afetariam outras pessoas. Eu vou me fechando, me calo, sofro sozinha. Porque eu não suporto a ideia de ser ferida de novo, física ou psicologicamente.

Pequenas contradições, promessas quebradas... Isso importa tanto pra mim. Pra ele podia não ser nada, mas pra mim significava falta de comprometimento, deslealdade e, consequentemente, desconfiança.

Como eu poderia confiar o que restou de mim, dessa maneira?

Eu senti medo quando brigamos algumas vezes. Senti medo da forma agressiva que ele agia, descontrolado e nervoso. Uma vez fiquei tão apavorada com seu comportamento, que quis pular do carro e fugir. Ele ficou bravo, achando que eu queria me matar, mas eu só queria me afastar do medo que eu estava sentindo.

Às vezes me pergunto se ele dirigia daquela forma pra me punir por ter deixado ele bravo. Se ele soubesse o quanto eu me sentia amendrontada e vulnerável...

As coisas foram desandando, de alguma forma. Em algum momento deixamos de nos entender e ele deixou de ser o meu melhor amigo, pra se tornar apenas meu namorado. Eu parei de confiar nele, com promessas quebradas e prioridades distintas.

Eu achei que, dessa vez, eu tivesse encontrado minha alma gêmea, mas talvez minha alma gêmea esteja mais interessada em outras coisas, do que em mim.

Eu dei tudo de mim e me dediquei ao máximo a esse relacionamento. Enfrentei meus medos, relevei coisas e fiz o que eu podia pra fazê-lo feliz, mas não consegui. Só consegui frustrá-lo com minhas limitações, com meus medos e inseguranças. Queria ser a pessoa que ele espera, mas não consegui. Sou medrosa, em todos os sentidos.

Queria que ele tivesse começado a pensar um pouco na nossa vida como algo a dois, mas sempre parecia que ele continuava a pensar como um cara solteiro. Eu esperava que ele pensasse como nós dois...

Tudo o que sei é que estou muito ferida. Magoada, desiludida e me afundando no meu buraco negro e solitário, novamente. Antes eu estava nele sozinha. Agora estou nele com um amor enorme e que deixou de funcionar.

Queria que alguém me abraçasse apertado e dissesse que vai ficar tudo bem, mas eu sei que não vai.

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