quarta-feira, 24 de junho de 2015

Era uma vez... II



Seu caderno não era como o das meninas de sua idade.

Ela tinha uma alma mais sombria, se atraindo por coisas muito fora do habitual.
Voltou a se interessar por Ocultismo, dessa vez querendo ir mais à fundo pra ter o que ocupar sua mente.

Se tornou taciturna, calada e começou a amar a solidão.
Seu melhor amigo era um tanto... diferente. Eles estavam juntos o tempo todo e ela não precisava de mais ninguém.

Muitas coisas aconteceram. Muitas deram certo, muitas deram errado.
Ela cansou de ser a menina boazinha e responsável e se tornou uma típica adolescente "problemática", aos olhos dos pais, pelo simples fato de ter cansado de vestir a máscara que ela costumava usar. Ela a apelidava carinhosamente de "meu eu fake".

Essa segunda personalidade, que todos amavam, consistia em uma menina dócil, estudiosa, alegra e gentil com todos, bem como extremamente bem humorada e engraçada.
Seus "amigos" a adoravam, enquanto ela só pensava no quanto queria se afastar de tanta gente idiota e fútil.

Estudava em um colégio de elite, onde todos era uns riquinhos mimados e sem perspectiva sobre os problemas do mundo.
Ela era a melhor aluna da turma e chegou a ter um texto publicado por uma editora, mas ela não se importava. Só escreveu porque queria matar um teste de Química pro qual não havia estudado.
Ela não se importava com absolutamente nada, na verdade.

Ela tinha cabelos coloridos e pintava as unhas de preto. Furava sua própria orelha e tentou ficar com mulheres.
Ela começou a atribuir sua solidão e seu sentimento de incompletude ao fato de, possivelmente, gostar de garotas e não ter se dado conta.

Essa teoria logo caiu por terra, já que ela percebeu que mesmo quando estava cercada por muitas pessoas ainda se sentia só.
Ela não conseguia explicar o porquê de se sentir tão solitária e vazia. Falta um pedaço dela.
Mas por quê? Quando? Onde? O que era isso? O que estava faltando?
Será que ela encontraria o que procurava, sem mesmo saber que procurava?
O que ocasionava esse sentimento de vazio? Haveria alguma coisa no mundo que pudesse trazer o pedaço que faltava nela?

Talvez isso fosse simplesmente tristeza.


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