domingo, 15 de maio de 2011

Quando chove...





Chove.

Eu normalmente gosto de chuva, mas não hoje.
Não agora.
Eu tô sentada na minha cama, nem sei quanto tempo faz e eu fico tentando encontrar ânimo pras coisas que normalmente me distraem mas eu simplesmente não... consigo.
O céu cinza, pesado, choroso parece um retrato irônico de mim mesma e isso só parece me lembrar de como eu tô me sentindo, algo que eu gostaria tanto de esquecer.
Eu tô tentando dessa vez.
Não me decidi a ficar parada esperando o tempo passar e amenizar um pouco a consciência desse buraco vazio em meu peito, que dói tanto que chega a refletir fisicamente em mim e eu fico encolhida nessa minha bolha de apatia, sem permitir que ninguém se aproxime.
Ninguém pode entrar, não agora.
O que acontece quando se aproxima de alguém que está se afogando? Você pode salvar a pessoa ou então ela vai se agarrar a você como se fosse a última chance de sobrevivência, fazendo você se afogar junto.A segunda hipótese é a que mais acontece...
Eu não posso usar as pessoas pra eu conseguir suportar esse vazio dentro de mim.
A verdade é que essa parte que eu perdi nunca mais vai voltar, não importa o quanto eu tente e o que eu faça pra preenchê-la.
Substituir um coração não traria de volta o que foi perdido, traria?
Seria uma parte de outra pessoa emprestada a mim, que nunca funcionaria como o que era meu.
Eu queria ser mais forte, mas no momento eu não sei o que fazer.
Acho que eu nem quero fazer outra coisa além de ficar na cama, tentando esquecer que o mundo existe e que ele é um lugar solitário, quando você se perde de si mesmo.

"And all I can breathe is your life."

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