domingo, 2 de maio de 2010

Solidão: quem pode evitar?




Sempre fico mais expressiva pra escrever quando tô triste, enquanto tenho imensa dificuldade de articular uma frase sensata na hora de conversar com alguém, então acho que é um momento pra se escrever. Fui dormir me sentindo tão só, como se não houvesse ninguém no mundo que me amasse ou pudesse me apoiar naquele momento de solidão desenfreada.
Vi minha mãe chegando de um passeio com as amigas e me arrependi de não ter saído pra comemorar o aniversário do meu primo com ele, mas eu ando tão cansada e introspectiva ultimamente. O que eu faria lá? A verdade é que por mais que eu esteja sozinha, uma parcela de culpa é minha. Eu não posso me forçar a buscar um ânimo que eu não tenho, pra poder fazer o que eu costumava fazer. Acho que minha fase de sair a madrugada inteira e estar sóbria uma vez por semana já passou, mas às vezes eu sinto falta dos meus amigos, das nossas festas improvisadas, da buzina acordando a vizinhança uma hora da manhã, de chegar em casa tão cedo que as pessoas já estavam indo trabalhar e rir com eles da nossa vida perfeita. Parece que foi há tanto tempo, quase em uma outra vida. Lembro do dia que estava um calor de 40º e eu e Mari fomos no supermercado e compramos quatro engradados de cerveja e dois de ice, simplesmente porque estávamos entediadas por estarmos confortáveis no ar condicionado, cantando no videokê, e acabou que ganhamos as ices de graça. O que fizemos? Uma festa, sem meus pais saberem. Foi o máximo! Era uma festa pra cinco e quando fomos ver tinham vinte pessoas, mas eu me diverti pra caramba e os shots de absynto foram a-w-e-s-o-m-e! Mari ficou tão bêbada e insana que ela esqueceu o quanto era apaixonada por meu primo e ficou se jogando em cima do cara que eu ficava, mas sabe que foi engraçado? Eu estava tããão preocupada com isso que passei a noite inteira brigando com um amigo que fumou todos os meus cigarros (eu gostava de ter um maço comigo, porque significava que estava ao meu alcance e eu não fumava porque não queria), enquanto a JD ficava debatendo sobre os malefícios de coorporações como o Mc Donald's, a exploração dos trabalhadores, o preço absurdo pago em cada sanduba e o povo menos nerd se retirou pro quintal. Começou a chover torrencialmente, então eu enjoei de brigar pelos cigarros, de olhar as loucuras da Mari, de fugir dos caras e corri pra rua pra tomar banho de chuva. Foi tão libertador! Eu fiquei encharcada em menos de dez segundos, meu cabelo perfeito foi literalmente por água abaixo, mas eu fiquei tão feliz que quando eu vi aquela coisinha verde muito trôpega andando na minha direção eu fiquei rindo sem parar uns cinco minutos. Resultado: duas loucas correndo na rua de casa debaixo de um temporal; uma delas muito bêbada. Essa foi uma das últimas noites que passei com os meus amigos, depois veio o Carnaval e eu fui mudando, até chegar até aqui.

Nunca me senti tão só, tão incompreendida, tão sem amor... O decorrer dos dias só me fazem perceber que eu não tenho ninguém. Nos momentos em que eu mais preciso de companhia, de colo, de amor, eu sempre estou só. Aí eu deito em minha cama e choro até cair no sono por exaustão, como eu fiz essa madrugada. Às vezes eu acordo me sentindo melhor, outras eu acordo me sentindo ainda pior. Hoje eu estou assim...

Nada mais faz sentido. Eu queria alguém que pudesse estar comigo sempre que eu precisasse, mas eu estou sempre sozinha. Eu sempre tenho que me virar, porque os meus problemas são sempre secundários. Não sobra espaço pra mim. Eu tenho que ficar sendo a madura, a compreensiva, a companheira, a otimista, independente de eu estar morrendo por dentro todos os dias e não tem ninguém ali pra fazer isso por mim! Sou sempre eu...

Será que não dá nunca pra eu ser o mais importante? Por que eu sempre tenho que ser deixada de lado? Eu esperei horas, horas, por um pouco de atenção e por fim eu tive que ir dormir. "Eu sempre vou estar aqui", "Eu nunca vou te deixar", "Não há nada que me importe mais que você", "Eu te amo"... São palavras, só palavras. Na prática é tudo muito diferente. Eu sabia que teria de passar por isso sozinha, eu sabia que todo o papo de que podíamos fazer isso juntos era da boca pra fora. Eu não aguento mais isso. Eu não posso passar por isso de novo.

Aqui estou eu, um ano depois, revivendo o trauma da minha vida...

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